Nova SBE
Porta da Frente Christie's International Real Estate
Realty Premium Market 2026  ·  2.ª Edição

O Mercado Imobiliário Residencial Gama Alta em Portugal

Impactos e Tendências | Abril 2026
16 de Abril de 2026  |  Nova SBE, Carcavelos
Parceiros de dados idealista & Confidencial Imobiliário

Preços da gama alta sobem 8,5% com procura em alta e oferta em queda renovada

O mercado imobiliário residencial de gama alta em Portugal atingiu novos máximos em 2025. Os preços subiram 8,5% face ao ano anterior, a procura aumentou 12%, e a oferta continuou a contrair-se — criando um desequilibrio estrutural que sustenta a valorização.

+8,5%
Preco/m² gama alta (Q4 var. homóloga)
Q4 2024: 7.323 → Q4 2025: 7.945 EUR/m²
-6,8%
Oferta total (média anual)
2024→2025 (-24,8% desde 2021)
+12,0%
Procura gama alta — leads (média anual)
2024→2025
7.945
EUR/m² gama alta — média ponderada (Q4 2025)
Affluent: 6.496 | Premium: 8.148 | Luxo: 11.176
~21.000
Fogos gama alta disponíveis (Q4 2025)
7.300 apartamentos + 13.700 moradias
+35,8%
Valorização acumulada de preços
T1 2021 → Q4 2025
Fonte: Idealista/cálculo dos autores, Q1-Q4 2025. Todos os KPIs referem-se ao segmento de gama alta (Affluent + Premium + Luxo) conforme definido na secção de metodologia.

A gama alta e definida pelos percentis de preço mais elevados do mercado

Objetivos

  • Caracterizar a oferta de imóveis residenciais de gama alta em Portugal
  • Quantificar a procura e a pressão sobre o mercado premium
  • Analisar a evolução de preços e fatores de valorização
  • Estimar o impacto económico do segmento de luxo na economia portuguêsa

Fontes de Dados

  • Idealista — Oferta, preços, procura por segmento e distrito
  • Confidencial Imobiliário — Transações, volume, preço médio por m²
  • INE — Licenças, custos de construção, avaliações bancarias
  • Knight Frank / Savills — Benchmarks internacionais de luxo

Em cada trimestre, os imóveis anunciados sao ordenados por preco/m² e segmentados por percentis da distribuição nacional. Os limiares ajustam-se automaticamente a evolução do mercado.

Affluent
Top 10-5% (p90-p95)
6.496 EUR/m²
Q4 2025
Premium
Top 5-2% (p95-p98)
8.148 EUR/m²
Q4 2025
Luxo
Top 2% (≥p98)
11.176 EUR/m²
Q4 2025
Metodologia: A cada trimestre, este estudo ordena todos os imóveis anunciados em Portugal por preco/m² e define os segmentos Affluent, Premium e Luxo pelos percentis superiores da distribuição. Os limiares ajustam-se a evolução do mercado — esta e a régua que utilizamos para medir.
I
Caracterização — Oferta
Evolução da oferta de imóveis de gama alta em Portugal

A oferta de gama alta caiu quase 25% desde 2021 apesar de recuperação recente

O mercado de gama alta perdeu um quarto da sua oferta disponível em quatro anos. Apesar de uma ligeira recuperação trimestral de +3,1% no Q4 2025, a tendencia estrutural e de contraçãoo.

Fogos anunciados gama alta
Evolução do número total de fogos anunciados de gama alta em Portugal (Q1 2021 – Q4 2025). Fonte: Idealista/cálculo dos autores.
23.975 fogos disponíveis no Q4 2025 — queda acumulada de -24,8% desde 2021, mas recuperação trimestral de +3,1%.

A contração da oferta e transversal aos três segmentos da gama alta

Oferta por segmento
Evolução da oferta por segmento: Affluent, Premium e Luxo. Fonte: Idealista/cálculo dos autores, Q4 2025.

Lisboa, Faro e Porto concentram a grande maioria da oferta de gama alta

Distribuição distritos
Distribuição absoluta por distrito.
Fracao distritos
Percentagem da oferta total por distrito.
Mapa Lisboa
Mapa de oferta de gama alta no distrito de Lisboa — concentração em Cascais e zona histórica.
Mapa Faro
Mapa de oferta de gama alta no Algarve — maior concentração de moradias de luxo do pais.
Top 20 freguesias
As 20 freguesias com maior oferta de gama alta concentram-se em Lisboa, Cascais e Algarve.

São apenas 7.300 apartamentos e 13.700 moradias de luxo disponíveis

Apartamentos e moradias — absoluto
Evolução da oferta por tipologia: apartamentos vs. moradias (valores absolutos). Fonte: Idealista/cálculo dos autores.
Apartamentos e moradias — variação
Variação da oferta por tipologia: apartamentos vs. moradias. Fonte: Idealista/cálculo dos autores.

As licenças têm subido, mas o ritmo de construção continua muito abaixo do necessário

Depois de uma década de subinvestimento na habitação nova, as licenças recuperaram — mas a dinâmica de conclusões mantém-se muito aquém do mínimo necessário para repor o stock habitacional. Em 2024 foram concluídos apenas cerca de 25 mil fogos, menos de metade do limiar de 70 mil/ano considerado indispensável. O défice acumulado é estimado entre 150 mil e 465 mil unidades.

Licenças de construção vs fogos concluídos
Licenças de construção e fogos concluídos em Portugal. O ritmo de conclusões mantém-se abaixo do mínimo de 70 mil/ano. Fonte: INE — Estatísticas da Construção e Habitação, 2024; APPII; JRC; PORDATA.
Défice estrutural: mesmo com a aceleração das licenças, o ritmo de conclusões não é suficiente para reabsorver a procura. A construção nova entra devagar e numa faixa de preço elevada — o que empurra todo o mercado para cima.

Portugal constrói menos novos fogos por household do que a maioria dos países da UE

Quando normalizada pelo número de households, a construção residencial em Portugal surge como uma das mais baixas da Europa Ocidental. Na média 2019–2023, Portugal construiu 4,2 novos fogos por 1.000 households, contra uma média UE de 7,1 e valores de 8,2 (França), 7,5 (Alemanha) ou 12,5 (Irlanda). Apenas Grécia, Itália e Espanha ficam abaixo de Portugal.

Novos fogos por 1.000 households — Portugal vs UE
Novos fogos por 1.000 households, média 2019–2023. Fonte: Eurostat — Housing Statistics; cálculo dos autores.
Escassez estrutural: o gap face à média europeia traduz-se em pressão de preços persistente. Num mercado que absorve pouco mais de metade do novo stock necessário, cada novo fogo concluído tem forte poder de valorização sobre o stock existente.

Os custos de construção dispararam: primeiro os materiais, depois a mão de obra

A escalada de custos teve dois motores sequenciais. A fase dos materiais (2021–2022) foi impulsionada pela disrupção logística pós-COVID e pela guerra na Ucrânia — o aço subiu +35%, o betão +18% e o custo total de materiais acumulou +32%. A fase da mão de obra (2023–2025) foi desencadeada pela subida do salário mínimo +31% (€635 → €870) e pela escassez de operários; a mão de obra representa hoje 40–50% do custo total de obra.

Índice de custos de construção residencial
Índice de custos de construção residencial em Portugal. Fonte: INE — Índice de Custos da Construção de Habitação Nova; IEFP; Banco de Portugal, 2025.

Os custos tornam inviável vender abaixo dos €4.500–5.000/m²

A soma dos custos ao longo da cadeia de promoção coloca o preço mínimo de venda da nova construção entre €4.275 e €4.925/m² de área vendável — o que significa que toda a nova construção entra automaticamente na Gama Alta. A estrutura de custos por m² vendável é a seguinte:

€2.100–2.350
Construção
~50% do total
€500–900
Terreno + infraestruturas
~€350
Soft costs (licenças, projetos)
~€700
IVA + custo financeiro
~€625
Margem promotor
€4.275–4.925
Preço mínimo / m² vendável
Consequência de mercado: toda a nova construção entra automaticamente na Gama Alta. Isto comprime ainda mais a oferta acessível e sustenta os preços do stock existente — um mecanismo estrutural, não cíclico.

Fonte: AICCOPN; AT (IVA); Banco de Portugal, 2025. Custo por m² bruto ÷ 0,85 = €/m² vendável (ajuste para caves, paisagismo e acabamentos).

Variação da oferta ao nivel da freguesia

Apesar da tendencia nacional de queda, algumas freguesias registaram aumentos significativos de oferta, enquanto as maiores quedas se concentram nas zonas de maior procura.

Maiores aumentos de oferta (absoluto)
Maiores aumentos absolutos de oferta por freguesia.
Maiores aumentos de oferta (percentual)
Maiores aumentos percentuais de oferta por freguesia.
Maiores quedas de oferta (absoluto)
Maiores quedas absolutas de oferta por freguesia.
Maiores quedas de oferta (percentual)
Maiores quedas percentuais de oferta por freguesia.
II
Caracterização — Procura
Transações, mediações e pressão da procura no mercado premium

O mercado atingiu 169.812 transações e EUR 41,2 mil M em 2025 — ambos recordes

169.812
Transações (2025)
+8,6% face a 2024
41,2
mil M EUR volume (preços correntes)
+21,7% (recorde)

A pressão da procura mais que duplicou desde 2021

Pressão procura
Indicador de pressão da procura (leads por anuncio): gama alta vs. mercado total. Fonte: Idealista/cálculo dos autores.
Pressão por segmento
O segmento Affluent apresenta a maior pressão de procura entre os três segmentos. Fonte: Idealista/cálculo dos autores.
Maior aumento de pressão por freguesia
Freguesias com maior aumento de pressão da procura.
Maior queda de pressão por freguesia
Freguesias com menor pressão da procura.
III
Caracterização — Preços
Evolução dos preços no segmento de gama alta

O preço médio da gama alta subiu 35,8% desde 2021 para 7.945 EUR/m²

Preço médio gama alta — evolução
Evolução do preço médio por m² na gama alta. Fonte: Idealista/cálculo dos autores, Q4 2025.
Preço médio por segmento
Evolução do preço médio por m² por segmento: Affluent, Premium e Luxo. Fonte: Idealista/cálculo dos autores, Q4 2025.

O preço de entrada na gama alta acelerou mais do que o topo — o gap esta a fechar

+10,4%
Affluent (Q4 YoY)
Maior crescimento
+7,8%
Premium (Q4 YoY)
Crescimento robusto
+6,2%
Luxo (Q4 YoY)
Crescimento moderado
Convergencia: O segmento Affluent cresce mais rapido que o Luxo, sugerindo compressão do spread entre segmentos. Isto e consistente com o efeito cascata: a falta de oferta generalizada empurra compradores para patamares de preço superiores.

Os preços da gama alta variam entre 6.800 e 35.000 EUR/m² nas localizações de referência

Av. Liberdade
9.285
EUR/m²
Cascais / Estoril
20-35K
EUR/m² (topo)
Quinta do Lago
10.825
EUR/m²
Comporta
6,8-10,7K
EUR/m²
Foz do Douro
6.533
EUR/m²
Scatter procura vs preços
Correlação positiva entre pressão da procura e crescimento de preços por distrito/segmento. Fonte: Idealista/cálculo dos autores, Q4 2025.

Variação de preços ao nivel da freguesia

Maiores aumentos de preço (absoluto)
Maiores aumentos absolutos de preço por m².
Maiores aumentos de preço (percentual)
Maiores aumentos percentuais de preço por m².
Maiores quedas de preço (absoluto)
Maiores quedas absolutas de preço por m².
Maiores quedas de preço (percentual)
Maiores quedas percentuais de preço por m².

Lisboa mantém desconto de 40–60% face às principais capitais europeias

Lisboa a €7.000/m² oferece um desconto de 62% face a Londres e 47% face a Paris. Mesmo em comparações mais próximas — Munique (€11.200), Milão (€9.950), Madrid (€8.550) e Berlim (€7.800) — o mercado prime de Lisboa mantém uma margem significativa de valorização, reforçando o posicionamento como oportunidade de valor real para o comprador internacional.

Londres
18.500
Paris
13.300
Munique
11.200
Milão
9.950
Madrid
8.550
Berlim
7.800
Lisboa
7.000
UBS Global Real Estate Bubble Index 2025 — Lisboa não é sinalizada como risco de bolha, ao contrário de Zurique, Tóquio e Miami. A margem de valorização face a pares europeus mantém-se significativa.

Fonte: Knight Frank; Savills; JLL; Numbeo. Preço médio residencial prime, EUR/m², 2025.

IV
Impacto Económico
Contribuição da gama alta para a economia portuguêsa

O imobiliário de gama alta representa quase 2% do VAB nacional e mais de 100 mil empregos

8.174
EUR M produção (2022)
efeito total (IO)
4.036
EUR M VAB (2022)
valor acrescentado bruto
1.703
EUR M remunerações (2022)
salarios gerados
106.381
FTE empregos
pico em 2022
Peso na economia nacional (2022, pico): produção 1,73%, VAB 1,91%, remunerações 1,50%, emprego 2,11%. Em 2025, o setor recuperou: produção 5.992M EUR (+469M vs 2024), emprego 77.108 FTE (+5.669).

O impacto económico recuperou em 2025 apos a contração de 2023-24

Indicador 2021 2022 (pico) 2023 2024 2025 Δ 25/24
Produção (EUR M) 5.885 8.174 7.232 5.523 5.992 +469
VAB (EUR M) 2.954 4.036 3.565 2.742 2.988 +247
Remunerações (EUR M) 1.206 1.703 1.510 1.144 1.236 +91
Emprego (FTE) 75.181 106.381 94.314 71.439 77.108 +5.669

Peso na Economia Nacional

Indicador 2021 2022 (pico) 2023 2024 2025 (est.)
% do VAB total (IO) 1,58% 1,91% 1,51% 1,09% n.d.
% do PIB (INE) 1,36% 1,65% 1,32% 0,95% ~0,99%
Emprego (% do total) 1,52% 2,11% 1,86% 1,40% n.d.
PIB nominal (mil M EUR, INE) 216,5 244,0 270,4 289,4 ~301,6

A construção e o principal motor do impacto económico do setor

Construção 2021 2022 (pico) 2023 2024 2025 Δ 25/24
Produção (EUR M) 5.078 7.262 6.444 4.859 5.229 +370
VAB (EUR M) 2.325 3.325 2.950 2.224 2.394 +170
Remunerações (EUR M) 1.138 1.628 1.445 1.089 1.172 +83
Emprego (FTE) 71.403 102.112 90.624 68.334 73.541 +5.207
A construção agrega ~87% da produção e ~95% do emprego gerado pelo setor. A recuperação em 2025 (+370M EUR de produção, +5.207 FTE) reflete o aumento de licenças (+20,1%) e a retoma de novos projetos.

A mediação imobiliária representa ~5% do impacto total

Mediação 2021 2022 (pico) 2023 2024 2025 Δ 25/24
Produção (EUR M) 807 912 788 663 762 +99
VAB (EUR M) 629 711 615 517 594 +77
Remunerações (EUR M) 67 76 66 55 63 +8
Emprego (FTE) 3.778 4.269 3.690 3.105 3.568 +463
VI
Perspetivas Futuras
Cenário macroeconómico e projeções para o mercado premium

O contexto macroeconómico e o mais favorável desde a pré-pandemia

2,0%
Taxa BCE (mar. 2026)
mantida após 8 cortes
1,8%
PIB Portugal
projeção 2026 (BdP, mar.)
23,3
EUR mil M crédito habitação
novo em 2025 (recorde, +27%)
2,8%
Inflação (projeção 2026, BdP)
IPC mar. 2026: 2,7%

Euribor 12M em ~2,7% (abr. 2026) após repique de ~40 p.b. desde mar. 2026; taxa média novos contratos habitação 2,83% (fev. 2026, BdP). Salarios reais +3,2% var. homóloga (2025) — maior crescimento do poder de compra em mais de uma década.

Cinco forças sustentam a perspetiva positiva; seis riscos exigem monitorização

Oportunidades

  • Defice estrutural de oferta — suporta preços e margens
  • Portugal como hub global — segurança, clima, qualidade de vida
  • Branded residences — premium de 30-50% e visibilidade internacional
  • Nearshoring e tech — novos fluxos de profissionais de alto rendimento
  • Novo aeroporto de Lisboa — potenciador de conectividade premium

Riscos

  • Reversão monetária — tarifas e choques energéticos podem reverter descidas do BCE
  • Regulação — IMT 7,5% não-residentes, limites AL, tributação estrangeiros
  • Geopolitica — Portugal como safe haven, mas conflitos reduzem apetite externo
  • Efeito cascata — falta de oferta empurra compradores para Affluent, pressiona toda a cadeia
  • Acessibilidade — prestação mediana duplicou em Lisboa desde 2019
  • Alavancagem no entry-level — garantia pública a jovens (LTV até 100%) representou ~26% das compras de casa em 2024 e peso dos novos créditos com perfil de risco elevado subiu de 3% para 21% em 2025 (BdP — Acompanhamento Macroprudencial mar. 2026); não afecta o segmento de luxo

O pacote fiscal de 2026 restringe a procura estrangeira mas estimula a construção

Medidas restritivas (procura)

  • IMT 7,5% flat para não-residentes (mar. 2026) — antes escala progressiva 0-7,5%; agora 7,5% desde o 1.º euro, sem exceções
  • IFICI substituiu NHR (jan. 2025) — taxa 20% IRS mantida mas restrita a profissões qualificadas
  • Golden Visa sem imobiliário (out. 2023) — continua via fundos (≥500K EUR). Cidadania: agora 10 anos

Medidas pro-oferta (construção)

  • IVA 23% → 6% na construção (set. 2025) — fogos até 660.982 EUR. Gama alta acima deste limiar não beneficia
  • Simplex Urbanístico (mar. 2024) — resultado: +20,1% fogos licenciados em 2025
  • AL: restrições levantadas (nov. 2024) — regulação devolvida aos municipios
Avaliação: Pacote mais relevante dos últimos anos. As restrições à procura (IMT 7,5%, IFICI) entram em vigor em 2026; o ponto de partida é um investimento estrangeiro recorde de EUR 3,9 mil M em 2025 — a absorção destas medidas será testada este ano.

Portugal é o líder europeu em branded residences — diferenciação qualitativa no segmento de luxo

~1.200
Unidades branded em pipeline ou entregues em Portugal (2025)
+30-50%
Premium de preço sobre o mercado local
Four SeasonsRitz, Lisboa
Residências de luxo
One&OnlyAlgarve
Villas exclusivas
AmanComporta
Resort residencial
Six SensesPorto Covo
Eco-resort
VanguardLisboa
Lifestyle residences

O segmento Affluent e a nova porta de entrada — e a principal fronteira de crescimento

5.806
EUR/m² preço médio Affluent
+5,3% var. homóloga
+10,4%
Maior valorização Q4 YoY
entre os 3 segmentos
5-7,5K
EUR/m² faixa de preço de corte
varia por freguesia

Porque o Affluent?

  • Em escala, o Affluent continua a ser o segmento mais atrativo para a construção nova
  • Localizações Premium e Luxo sao maioritariamente reabilitação em zonas controladas
  • O IVA 6% na construção aplica-se até ~€648K (segmento de luxo NÃO elegível — preço-limite excede esse teto) — beneficia o Affluent

Zonas emergentes

  • Lumiar — +132% oferta (+327 fogos), novo no Top 20
  • Marvila — +136% oferta (+225 fogos), nova fronteira urbana
  • Paranhos (Porto) — +89% oferta, expansão para norte
  • Fator comum: acessibilidade e transportes como catalisadores
Contexto importante: O crescimento do Affluent e em parte resultado da falta de oferta generalizada, que empurra compradores para este segmento. A escassez de transportes e de construção nos segmentos mais acessiveis contribui para que o imobiliário de gama alta seja frequentemente apontado como causa dos problemas habitacionais — quando na realidade e um reflexo da insuficiência de oferta em toda a cadeia.

A literatura sugere um prémio de 7-12% pela proximidade ao metro

+7-12%
Prémio estimado na literatura
proximidade ao metro em Lisboa
405 M EUR
Linha Vermelha (Alcantara)
4 estações, 11M pass./ano
678 M EUR
Linha Violeta (Loures-Odivelas)
17 estações, metro ligeiro

Evidência académica

  • Martinez & Viegas (2009), Transp. Research Record: 1 linha metro +6,5-8,8%; 2 linhas +9,2-12,5% (Lisboa)
  • Debrezion et al. (2007), meta-análise: prémio residencial médio +4,2% por proximidade a estação
  • Agostini & Palmucci (2008), Fiscal Studies: valorização +4-8% comeca apos anuncio

Potenciais implicações

  • Linha Vermelha (Alcantara): Campo de Ourique, Infante Santo — zonas com potencial de valorização
  • Linha Violeta (Loures-Odivelas): possível expansão do mercado para norte
  • Zonas já em aceleração: Lumiar (+132%), Marvila (+136%)
Mapa Lisboa metro preços
Preco/m² gama alta por freguesia e rede de metro na AML. A correlação visual entre acessibilidade e preço não implica causalidade. Fonte: Idealista/cálculo dos autores, Q4 2025; Metro de Lisboa.

Principais takeaways para investidores e promotores

1
Crescimento estrutural — sem fatores de rutura de curto prazo. Não se identificam fatores de curto prazo que coloquem em causa a dinâmica de valorização da gama alta. O défice estrutural de oferta, a pressão da procura e o enquadramento macro favorável sustentam a trajetória de valorização.
2
Affluent é o sweet spot — escala que o Luxo não permite. Sweet spot da procura e oferece escala muito difícil de replicar nas zonas mais centrais de Lisboa e Porto. Liderou o crescimento em 2025 com +38,7% de valorização acumulada desde 2021.
3
Transportes como alavanca de crescimento Affluent. Redes de transporte (metro, Fertagus) alargam o segmento Affluent a zonas mais distantes do centro — crítico para escalar a oferta. A literatura sugere um prémio estimado de 7–12% pela proximidade ao metro.
4
Luxo e Premium sólidos — risco regulatório no segmento internacional. IMT 7,5% e IFICI impactam clientes estrangeiros. Investidores do Médio Oriente podem substituir fluxos europeus e norte-americanos. O desconto de 40–60% face a Londres e Paris continua a ancorar a procura internacional.
5
Diferenciação é imperativa no Premium e Luxo. Localização, serviços integrados e acabamentos de topo são fatores decisivos de posicionamento. Portugal é o líder europeu em branded residences (~1.200 unidades em pipeline), que representam a fronteira qualitativa do mercado.